LINHAS DE FORÇA, 2019 – MANTA ASFÁLTICA LÍQUIDA SOBRE TELA /LIQUID ASPHALT ON CANVAS. 230cm x 160cm
FOTO DE/ PHOTO BY EDOUARD FRAIPONT
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FOTO DE/ PHOTO BY FILIPE BERNDT
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Essa pintura deveria funcionar como um painel de instruções para um universo incógnito. Nada mais é que a reprodução ampliada de um dos tratados de experimentos em eletricidade realizados pelo físico inglês Michael Faraday (1791 - 1867) em 1852.

 

Relativamente uniforme em cor ou padrão essa pintura poderia ser considerada um “all over painting”, se antes não tratasse simplesmente do deslocamento de uma pesquisa empírica, da área da físico-química para o universo elusivo da arte.

 

Pintado com tinta asfáltica sobre tela de algodão, promove a elucidação dos conceitos de linhas de força proposto por Faraday, através da representação do comportamento magnético no campo elétrico, com o uso de diagramas justapostos.

Esses diagramas enunciavam que as forças elétricas e magnéticas eram conduzidas por linhas elásticas que saiam dos corpos eletrizados ou magnetizados e se estendiam pelo espaço. Ele chamou essas linhas imaginadas, de linhas de força.

Faraday propôs que as linhas de força partem do lado mais fraco do campo eletromagnético e convergem para onde é mais forte. Essas linhas são invisíveis a olho nu, e geralmente curvas. Suas tangentes dão a direção do campo elétrico e por consequência dão sentido e força ao campo magnético.

No final, essas linhas acabam por compor um intenso quadro informativo, uma vez que está ampliado e representado com o peso do betume. A grandiosidade das informações se diluem no seu próprio ruído, já que ali se comportam bem mais como um monumento avariado, do que como um tratado encadernado.

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_ENG

Portuguese pavement is generally composed of black and white limestone stones of irregular sizes and formats that exhibit several possibilities of decorative patterns. Patterns commonly seen on the pavements of Portuguese cities are also found in other Portuguese-speaking countries, former colonies of the then-Portuguese monarchy. In the case of the Brazilian metropolises, it is no different: some of the country’s oldest public pavements exhibit an array of familiar and com- plex decorative patterns.

With interest renewed within Brazilian modernist architecture, the Portuguese pavement has affirrmed itself in national public and private urban spaces in an undeniable and irreversible way.

This work portrays an ironic and paradoxical attempt to use carvings on post-colonial pavement to recreate the Effigy of the Republic, the same one printed on banknotes of the Brazilian real.

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FOTO DE/ PHOTO BY FILIPE BERNDT
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