CAMPO CONCRETO, 2019 – MANTA ASFÁLTICA LÍQUIDA SOBRE PAPER/ LIQUID ASPHALT ON PAPER. 49,5 x 39,5 cm CADA PEÇA /EACH PART
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FOTO DE/ PHOTO BY FILIPE BERNDT
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Essa série de três desenhos está feita com manta asfáltica líquida.

Cada um dos três conta com um respectivo diagrama, referente ao comportamento específico das linhas de força no campo eletromagnético, proposto pelo físico inglês Michael Faraday (1791 - 1867).

 

A série foi desenhada no verso de três gravuras, impressas em papel de fina gramatura. Os papéis escolhidos datam de 1954, e foram usados originalmente com a finalidade de retratar paisagens urbanas paulistanas, com edificações identificadas à mão, pelo artista que as gravou.

 

É importante deixar claro que o ano de 1954 compõe uma década de suma importância para o cenário artístico do Brasil. No eixo Rio - São Paulo iniciam-se processos de metropolização, alimentados pelo surto industrial e pela pauta desenvolvimentista, que vão alterar consequentemente a paisagem urbana. Do ângulo das artes visuais, a criação dos museus de arte e de galerias desenvolveram condições para a experimentação concreta nos anos 1950. Em 1952 o grupo Ruptura marca o inicio do movimento concreto em São Paulo. Liderado pelo artista Waldemar Cordeiro, as pesquisas geométricas expõe a proximidade entre o trabalho artístico de atelier e a produção industrial daquele momento.

 

Em suma, é improvável olhar para a série Campo Concreto e não vislumbrar referencias como Luiz Sacilotto (1924 - 2003), Geraldo de Barros (1923 - 1998) ou até do próprio Waldemar Cordeiro (1925 - 1973). No entanto – e de modo contraditório –, tudo se trata do mero deslocamento de uma pesquisa física para o universo artístico.

 

De maneira capciosa o trabalho promove a quebra do limite entre a subjetividade da forma, e o esquema cuja representação visual estruturada explica um determinado conceito.

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FOTO DE/ PHOTO BY FILIPE BERNDT
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Lightening attractors is a series of ten figurative drawings that use the language of technical drawing to offer an alternative to the obvious.

 

Electrical diagrams and layout and structural schemes taken from instruction manuals of some of the most popular house appliances served as the basis for the reconstruction of ten eccentric devices, adapted for a unique and mythical role: to attract the atmospheric discharges. In this way, a simple drill is equipped with a Franklin rod in place of a common drill so that it can summon thunder when pointed to a cloud loaded with ions.

 

Injected with a fictitious load, the white pencil drawings on black background deconstruct any minimalist trait found in the informational documents that accompany such appliances. And in place of “information” and “instruction,” “doubt” and “reverie” appear strategically to highlight art’s natural disposition to link the immaterial to the visible.

 

Although invisible, electrical energy is present when the light comes on or when the fan is turned on. The electromagnetic field can only be hinted at by its idea, but it becomes physical and incisive when we see it before our eyes when an object moves or stops moving. In a similar way, the lightning is the opportunity to watch the electric energy take form and behave as an image. That is, lightning becomes a monumental opportunity that the atmosphere gives us to see the energy of an electric discharge.

 

How to see an ion with the naked eye? How to position yourself before an idea without form?

 

Like the lightening, the art object can provide a time and a space for a glimpse of what is not accessed within the most abstract conditions of everyday life. In other words, art is perhaps the possibility of accessing what the everyday does not invite us to see, which is why it often confuses more than it clarifies.

 

To conclude, Lightening attractors render possible the desire to make real or visible what is hidden in our brazen world. However, it may be that this series is no more than a failed attempt at communication. So be it. In this case, it is yet another tribute to the failure of construction of language.

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