OURIÇO, 2019 – ESPINHOS DE OURIÇO CACHEIRO E POEIRA PRENSADA /HEDGEHOG THORNS AND PRESSED DUST. 11cm Ø
FOTO DE/ PHOTO BY EDOUARD FRAIPONT
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FOTO DE/ PHOTO BY FILIPE BERNDT
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Essa peça é basicamente composta de dois materiais orgânicos: espinho de ouriço-do-mato e poeira.

 

O ouriço-do-mato (Coendou prehensilis) é um animal solitário, de hábito crepuscular e noturno. Por consequência usa de seus próprios espinhos como mecanismo de defesa, eriçando-os para que se desprendam facilmente de sua pelagem e penetrem a pele do agressor.

 

Em Ouriço, os espinhos desse animal foram encontrados, colecionados e em seguida  penetrados de maneira ordenada numa superfície esférica feita de poeira. Essa bola maciça, por sua vez, foi elaborada a partir de poeira recolhida de um aspirador de pó, e logo prensada com auxílio de uma forma. Desse modo, o formato final do objeto simula o de um ouriço-do-mar, um animal invertebrado que se aloja em fissuras de rochas ou entre algas no mundo do mar.

 

A situação surreal, gerada pela união do mundo submarino ao terrestre, encontra no objeto de arte a maneira mais sensata de trazer como solução, uma contradição lógica.

 

Como se a partir de uma tese e de uma antítese, a síntese fosse uma declaração aparentemente verdadeira. Uma afirmação paradoxal que, no universo da arte, acaba por não contradizer a intuição comum.

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Portuguese pavement is generally composed of black and white limestone stones of irregular sizes and formats that exhibit several possibilities of decorative patterns. Patterns commonly seen on the pavements of Portuguese cities are also found in other Portuguese-speaking countries, former colonies of the then-Portuguese monarchy. In the case of the Brazilian metropolises, it is no different: some of the country’s oldest public pavements exhibit an array of familiar and com- plex decorative patterns.

With interest renewed within Brazilian modernist architecture, the Portuguese pavement has affirrmed itself in national public and private urban spaces in an undeniable and irreversible way.

This work portrays an ironic and paradoxical attempt to use carvings on post-colonial pavement to recreate the Effigy of the Republic, the same one printed on banknotes of the Brazilian real.

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